Quando eu não quis ser mãe

Se você ainda não viu a primeira parte desse  artigo – veja aqui: Quando eu quis ser mãe 

Quando eu percebi que eu não precisava de um filho pra ser feliz, muita coisa mudou na minha vida. Percebi que a mudança que eu precisava estava dentro de mim, que somente eu poderia me fazer feliz.

E aí vai uma dica para a vida: não procure a felicidade fora de você. A felicidade para ser plena, precisa vir de dentro pra fora. Não adianta achar que o companheiro,  os amigos ou mesmo o emprego dos sonhos vai te fazer feliz. Se você não é capaz de se sentir bem, feliz, plena e realizada sozinha, não vai conseguir isso pelo fato de estar ao lado de alguém.

E depois de vários escorregões eu percebi isso, consegui me livrar de alguns males que insistiam em me levar para o fundo do poço e fui ser feliz! Viagens, passeios, festas, confraternizações…. E não, não era uma vida vazia, pois eu me sentia realizada, estava feliz comigo, e com a minha vida! Já tinha cumprido o meu “cronograma de vida” e deste momento em diante a meta era ser feliz. Sozinha, solteira e extremante comprometida com a minha felicidade!

Mas o destino nos reserva algumas surpresas…. E em uma dessas viagens conheci um belo paulista dos olhos verdes que me tirou o rumo! Nos conhecemos, passeamos e terminamos a viagem juntos. Achei que seria só um caso de verão no outono, mas para nós dois estava reservado muito mais do que isso…

E o tempo foi passando, fomos nos conhecendo e chegamos no assunto de filhos. Ele não quer ter filhos. Totalmente convicto que paternidade não passaria nem pela timeline do Facebook, imagina na vida dele! Na hora eu pensei: nossa, ele não quer ser pai! Mas eu também não estou querendo ser mãe! Tá tudo certo então!

Passei alguns anos tentando me convencer de que eu realmente não queria ser mãe! Só que eu não queria ser mãe naquele momento, naquela época, naquela fase. Namoramos, noivamos e casamos! E quando nos perguntavam sobre filhos, a resposta era única: não queremos ter filhos! E eu quase me convenci disso!

Pra falar a verdade, eu gosto e gosto muito da vida de mulher sem filhos! Saio a hora que eu quero, durmo a hora e quanto eu quero, tenho um marido que cuida de mim, e somente de mim! Pra passear, viajar, sair é só ir! A única preocupação que eu tenho hoje, é com o bem estar do casal, e da nossa filhinha e quatro patas (que já dá bastante trabalho)!

Acho que por isso que eu tinha “certeza” que não queria ter filhos. A maternidade é linda, mas assusta. Você vê aquele tanto de mãe reclamando da falta de sono, que não consegue descansar, comer, tomar banho! Gente, tomar banho!!!! A pessoa não conseguir tempo pra tomar um banho decente. Isso parece surreal, como pode alguém “escolher” passar por isso. Ter o bico do peito sugado, muitas vezes rachado, sangrando, empedrado. Ter seu corpo completamente modificado, perder sua cintura e suas curvas, ver estrias e flacidez tomando conta do seu corpo, ficar inchada, parir. Ai meu Deus, parir, colocar uma criança pra fora. Seja por cesárea ou parto normal, qualquer um deles parece completamente assustador. Imaginar perder noites e noites de sono, saber que vai ter um ser completamente indefeso que vai depender unica e exclusivamente de você. É, foi fácil me convencer que eu não queria ser mãe.

Como eu estava certa que o desejo da maternidade já tinha ficado pra trás, fui viver minha vida. Namorar, viajar… ah, eu amo viajar! Conhecer lugares, restaurantes, lugares novos, retornar aos lugares que eu gostei, ir novamente aos que eu não gostei pra ter certeza que não gostei! Como eu amo! Aos vinte e poucos anos eu assisti um filme que marcou muito a minha vida! Clique aqui para ver a sinopse →Antes de Partir. Fiz a minha lista da bota, com todos os lugares que eu gostaria de ir, coisas que eu gostaria de fazer, de comer, de provar…. Era quase uma lista do sapateiro….rs

E me concentrei em realizar a minha lista, minha satisfação pessoal, profissional, amorosa. E assim fui vivendo, alguns itens eu realizei, outros acrescentei, outros eu desisti e alguns ainda não consegui realizar. Mas a lista da bota é extremamente interessante. As vezes nos perdemos um pouco, e ter anotado o que se quer e onde se quer chegar ajuda a não perder o foco e ir atras dos nossos objetivos. Pensar é bom e registrar é necessário. Quando deixamos registrado os nossos objetivos, fica mais fácil traçar metas para alcançá-los.

Então, terminei esta fase de não querer ser mãe extremamente bem resolvida e feliz. E achando um absurdo as pessoas se espantarem com a ausência do desejo da maternidade nos meu planos. Mas quem vive sem o olhar de julgamento das pessoas né? Se tem alguém, este alguém definitivamente não sou eu!

Leia o próximo post para saber mais sobre a minha decisão de querer /não querer/e querer um filho: Quando eu voltei a querer ser mãe

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